EUA DENUNCIAM 'INJUSTIÇA' POR CONDENAÇÃO DE AMERICANO EM CUBA

Gross foi condenado em Cuba.
WASHINGTON (AFP) - A condenação do americano Alan Gross a 15 anos de prisão, em Cuba, por espionagem, é uma "injustiça", afirmou este sábado um porta-voz da Casa Branca, que pediu sua imediata libertação.
"A sentença de hoje (sábado) é outra injustiça no suplício de Alan Gross. Já passou muitos dias preso e não deveria passar nem mais um. Exigimos a libertação imediata de gross para que possa voltar para casa, com sua esposa e família", destacou o comunicado do porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Tommy Vietor.
Um tribunal cubano julgou Gross, de 61 anos e detido na ilha há 15 meses, culpado dos crimes "contra a independência ou integridade territorial", segundo nota oficial divulgada no telejornal, uma semana depois de concluído o julgamento.
Gross, que poderá apelar da sentença, foi detido em Havana no dia 3 de dezembro de 2009 quando, segundo o próprio presidente Raúl Castro, e distribuía "sofisticados meios de comunicação" a opositores, cumprindo seu papel de "agente secreto" dos Estados Unidos.
Alan Gross é um "dedicado trabalhador na área de desenvolvimento internacional, que dedicou sua vida a ajudar pessoas em mais de 50 países. Estava em Cuba para ajudar o povo cubano a se conectar com o resto do mundo", criticou o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.
A chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, chegou a exigir das autoridades cubanas, no início do mês, a libertação do americano.
Hillary destacou a "preocupação" de seu país com o processo aberto contra empresário de 61 anos, que ameaça piorar as relações já tensas entre Estados Unidos e a ilha comunista.
Washington diz que ele é empregado da empresa terceirizada Development Alternatives (DAI) - contratada pelo Departamento de Estado -, para ajudar a comunidade judaica em Cuba a comunicar-se com o exterior dando-lhe celulares e computadores. Mas a comunidade nega ter mantido qualquer contato com ele.
"Nós nos sentimos profundamente decepcionados com o veredicto e a sentença", acrescentou, em comunicado, James Boomgard, presidente da empresa DAI.
"Alan Gross foi acusado simplesmente de prover acesso à internet para gente pacífica", acrescentou no comunicado.
A família de Gross ficou "devastada" com a informação da sentença e acredita estar pagando um "enorme preço" pelo conflito entre os dois países, disse o advogado, Peter Kahn.
"A família Gross está devastada pelo veredicto e a dura sentença anunciada hoje pelas autoridades cuvanas. Tendo passado 15 meses em uma prisão de Cuba, Alan e sua família pagaram um enorme preço pessoal pelo prolongado conflito" bilateral, destacou o advogado da família em nota enviada à AFP.
Kahn disse que continuará trabalhando com a advogada cubana de Gross, Nuris Piñero, para explorar todas as opções do caso, inclusive a apelação da sentença, anunciada este sábado por um telejornal.
"Nesta hora difícil para Alan e sua família, pedimos novamente ao governo cubano para libertá-lo de imediato por razões humanitárias", acrescentou Kahn, que acompanhou a esposa de Gross, Judy, no julgamento.

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