| Da esquerda para a direita: 1ª fila: Auta de Souza, Nísia Floresta, Joana D'Arc e Maria Bonita; na 2ª fila: Celina Guimarães, Alzira Soriano, Maria Quitéria e Dilma Rousseff. |
Por volta do século XVIII, tem início na Inglaterra a Revolução Industrial mecanizando os sistemas de produção. Deste modo, a produção maquinofaturada substituiria a manufaturada. Justamente neste cenário, vamos encontrar a origem das manifestações do Dia Internacional da Mulher. Inicialmente, só os homens trabalhavam nas fábricas, porém como o que ganhavam era pouco para sustentar a família, os maridos começaram a puxar suas esposas para o trabalho. Veio a resistência. As mulheres, acostumadas com a vida doméstica não queria encaminhar-se para trabalhar nas fábricas. As crianças também foram com um tempo. Os trabalhadores, independentes de sexo, não tinham direito a folga semanal, férias remuneradas, décimo terceiro, auxílio doença e ainda recebiam castigos físicos. A situação das mulheres era pior ainda, pois ganhavam um salário menor que o dos homens e passavam por uma série de constrangimentos no ambiente de produção.
Tudo começou na cidade de Nova Iorque, nos idos de 1857. Operárias de uma fábrica de tecidos reivindicavam redução da carga diária de trabalho para 10 horas (trabalhavam 16 horas), igualdade de salário com os homens e um tratamento digno no ambiente de trabalho. Porém, a resposta dos donos da fábrica que não toleravam insubordinações, principalmente, de mulheres foi totalmente violenta. Eles fecharam a fábrica e tocaram fogo nela, matando as 130 tecelãs que lá estavam.
Somente 53 anos depois, na Dinamarca em uma conferencia, ficou decidido que o dia 8 de março seria o Dia Internacional da Mulher como forma de homenagear as mulheres mortas na fábrica têxtil. A ONU oficializou a data no ano de 1975.
De 1857 para cá, as mulheres foram cada vez mais ganhando espaço.
Vamos conhecer algumas mulheres que fizeram história:
Celina Guimarães Viana, nascida em Natal (1890), professora, tornou-se a primeira mulher no Brasil e na América Latina a votar no dia 05 de abril de 1928 autorizada pela lei nº 660 do governador do estado, Juvenal Lamartine de Farias. No mesmo ano, por força da mesma lei, uma mulher nascida em Jardim de Angicos chamada Luiza Alzira Soriano Teixeira foi eleita prefeita do município de Lajes com 60% dos votos, tornando-se a primeira prefeita eleita do Brasil e da América latina.
No Rio Grande do Norte, a professora Wilma Maria de Farias foi a primeira mulher a governar o estado potiguar (A primeira governadora eleita no Brasil foi Roseana Sarney, em 1994, sendo também a primeira reeleita). Outras mulheres também marcaram a história de maneiras particulares: Maria Gomes de Oliveira, foi a primeira mulher a entrar no cangaço. Nascida no município da Glória (Hoje Paulo Afonso/BA), atendeu ao chamado de Virgulino Ferreira da Silva para ser sua mulher e entrar no cangaço onde ficou conhecida como Maria Déa ou Maria Bonita. No mundo da literatura, encontramos Auta de Souza, irmã de Henrique Castriciano e Eloi de Sousa. Autora de grandes obras consagradas da segunda geração romântica da literatura brasileira. Morreu jovem aos 24 anos de tuberculose. Um tempo mais atrás, também no Rio Grande do Norte, outra poetisa fez história: Nísia Floresta Brasileira Augusta. Considerada a primeira mulher a romper a fronteira do público-privado publicando textos em jornais, dirigindo colégios e lançando o movimento feminista no estado. A primeira mulher a atingir o cargo de Presidente da República do Brasil foi a ex-ministra Dilma Vana Rousseff.
AS MULHERES NA HISTÓRIA.
No Antigo Egito, assim como em toda Antiguidade, as mulheres não tinham nenhum significado a não ser o da reprodução, porém há uma história interessante: a de uma mulher faraó. Hatshepsut era filha do faraó Tutmés I e quando este morreu, o filho assumiu o trono como Tutmés II. Acontece que em pouco tempo o novo faraó morreu sem deixar herdeiros. O enteado de Hatshepsut, Tutmés III, assumiria o trono se não fosse uma criança ainda incapaz de governar. Para garantir o reinado do enteado, Hatshepsut assumiu o trono do Egito como regente e anos mais tarde assumiu a dignidade de faraó adotando os cinco nomes divinos que os reis do Egito carregavam. Governou por 22 anos, porém seu nome não configurava na listagem dos faraós porque os próprios escribas egípcios não registraram por se tratar de uma mulher.
Joana D’Arc, filha de camponeses franceses, lutou pela liberdade do seu povo contra os borguinhões e os ingleses no contexto da Guerra dos Cem Anos. Capturada, foi queimada viva sendo considerada bruxa e herege por ter quebrado os costumes da época, inclusive vestindo-se e guerreando como homem. Joana tornou-se símbolo do nacionalismo francês e hoje é a padroeira da França. Foi queimada viva aos 19 anos de idade.
Maria Quitéria de Jesus, nascida em Feira de Santana (1792). Logo cedo perdeu a mãe, o pai estava doente e velho. Nos idos de 1822, começaram as agitações na Bahia em torno da independência do Brasil. O pai de Maria Quitéria não podia alistar-se devido a idade, deste modo, a filha pediu para ir em seu lugar. Diante da negativa, fugiu de casa e foi para o lar de sua meia-irmã onde cortou os cabelos, vestiu-se como homem e alistou-se no Regimento de Artilharia com o nome de Medeiros. Tinha uma grande facilidade com o manejo das armas e tendo participado de diversas batalhas, chegou a vencê-las e recebeu as honras de 1º cadete. É considerada a Joana D’Arc brasileira.
Anita Maria de Jesus Ribeiro, nascida em 1821 em Santa Catarina. Casou-se, mas foi abandonada pelo marido que ingressou no exército imperial. Durante a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, conheceu Giuseppe Garibaldi, por quem se apaixonou e passou a combater ao seu lado pela independência da região onde morava. Após o casamento com o italiano, ficou conhecida como Anita Garibaldi.
Existem muitas outras mulheres que fazem história no mundo atual. Principalmente aquelas que são largadas com os filhos pelos maridos, fazem papel de pai e de mãe tendo que sustentar a prole. Com o passar da história, elas foram ganhando seus espaços e estão construindo um mundo em busca da igualdade e por mais respeito.
(Do blog http://www.tionaldinho.spaceblog.com.br/)
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